De acordo com o deputado estadual João Henrique Caldas, o JHC (PTN) -
ao analisar o extrato das contas da Assembleia Legislativa do Estado,
conseguidos via Justiça Federal - a Casa de Tavares Bastos pode ter
gasto aproximadamente R$ 88 milhões (nos últimos quatro anos) sem
explicações algumas. O valor - ainda conforme o parlamentar - é
correspondente ao gasto em gratificações sem critérios e de possíveis
saques que não são identificados as finalidades.
“É um cálculo conservador com base nos valores no valor de 2011. Ou
seja, pode ser muito maior e mesmo assim estamos diante de uma
Assembleia falida que falta até dinheiro para papel higiênico. Há
indícios de desvio de finalidade dos recursos da Assembleia Legislativa e
precisamos de uma auditoria”.
Em 2011, o orçamento da Casa de Tavares Bastos era de R$ 119 milhões.
JHC chama atenção para o fato de que o parlamento já era comandado pela
atual Mesa Diretora presidida pelo deputado estadual Fernando Toledo
(PSDB). “É um absurdo estes gastos da atual Mesa diante dos índices de
pobreza do nosso Estado”, colocou ainda.
Para JHC, a Casa utilizava uma
“contabilidade paralela” para pagar gratificações. “Eram depositadas nas
contas dos servidores comissionados escolhidos, mas não saiam no
contra-cheque”, frisou. “É um ato de vandalismo contra o erário e não
podemos perder o nosso sentimento de indignação com esta realidade”,
complementou.
O parlamentar entregou ainda cópias dos extratos para a imprensa.
“Peço que a imprensa analise também os dados para comprovar a ausência
dos meios republicanos com que a ALE age. Isto aqui é a ponta do
iceberg. Existem muitas informações que ainda busco ter aceso e este é o
ponto inicial. Os dados vieram da Caixa Econômica de forma bruta, mas
analisamos junto com técnicos”.
JHC revelou ainda que solicitou os
dados das contas da Assembleia Legislativa em relação aos outros anos.
“O que se pode perceber também é que as informações prestadas pela Caixa
Econômica não batem em relação às que foram dadas até agora pela ALE,
de forma confusa quando resolveu ser ‘transparente’”.
Em saques não identificados -
conforme JHC - foram retirados das contas da Assembleia Legislativa o
valor de R$ 4 milhões e 706 mil. Em um cálculo conservado, o valor pode
ultrapassar os R$ 18 milhões em um mandato. “Há indícios de que estes
valores são frutos de saques feitos na Caixa e que não há como
identificar o destino”.
“É uma continuação da Taturana. E o
que mudou na Casa? Nada. Não existe atos com publicidade, não funciona a
escola legislativa, não funciona a biblioteca. Não há nada na Casa que
justifique estes gastos. É preciso repassar a ALE a limpo”, disse
ainda.
JHC apresentou outros dados. Com o
Sindicato dos Servidores foram gastos R$ 636.083,52 em 2011. No mesmo
período, a Associação dos Servidores recebeu R$ 2. 291,900,35 e a TV
Assembleia R$ 1 milhão e 865 mil. O deputado citou o repasse para
algumas empresas como MR Barbosa Nogueira (R$ 86 mil), R$ 13 mil (JF
Eletrônica), R$ 38 mil (Elógica) e R$ 50 mil para auditores
independentes.
Além disto, o repasse de R$ 1.351.890,44 com a cooperativa de assistência médica (também em 2011).
De acordo com os dados da Caixa
Econômica, foram pagos R$ 17 milhões e 550 mil em gratificações. Na
média do cálculo conservador, o número é de R$ 70 milhões em um
mandato.
Em 2011, a ALE gastou R$ 101
milhões com folha salarial. Ou seja, maior parte do recurso do
duodécimo, como já era esperado. Em relação aos gastos com pessoal, JHC
acredita que as gratificações também sejam um “ralo por onde escorre o
dinheiro público”.
“Fica claramente configurado que
nestes extratos que há nomes com mais de 600% de gratificação. Com estes
números alarmantes, com estas gratificações que são concedidas por um
ato discricionário da Mesa Diretora - mas sem transparências - fica
visto que são dadas sem critérios algum. Para servidores comissionados
apadrinhados pela Mesa”, explicou.
O deputado estadual deve encaminhar
ainda os dados para o Ministério Público Federal (MPF) e Polícia
Federal (PF), já que em relação aos gastos com pessoal há possível
sonegação à Receita Federal. “Precisamos de uma auditoria nas contas da
Casa. Para saber efetivamente para onde estão indo estes recursos, para
saber onde estão indo milhões e milhões de reais em dinheiro público”.
JHC defendeu a necessidade do afastamento da Mesa Diretora para que as
investigações possam ser realizadas sem interferências políticas.
No mais, somando-se o cálculo
conservador sobre as gratificações e os pagamentos não identificados
pelo extrato se chega ao valor de R$ 88 milhões (uma estimativa durante o
mandato).
PS: por conta de alguns problemas
pessoais, estou demorando na liberação dos comentários e na atualização
dos posts. Mas, até amanhã tudo sanado. Grato aos leitores.
Estou no twitter: @lulavilar
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